Home
/
Notícias
/
Política
/
Jaques Wagner reage à operação da PF, recebe apoio de Lula e Jerônimo e promete manter candidatura ao Senado
Jaques Wagner reage à operação da PF, recebe apoio de Lula e Jerônimo e promete manter candidatura ao Senado
Por Evilásio Júnior
19/06/2026 às 07:17

Foto: Divulgação
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, reagiu à 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que o colocou entre os alvos de uma investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima.
Em entrevista à BandNews FM, o petista negou ter atuado em favor do Banco Master no Congresso Nacional, afirmou não possuir qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e disse estar tranquilo em relação aos valores apreendidos pela Polícia Federal durante o cumprimento dos mandados.
Conforme a investigação, os agentes encontraram dólares e euros em endereços ligados ao parlamentar. Wagner afirmou que os recursos têm origem legal e são resultado de diárias recebidas em viagens internacionais realizadas como senador.
“Eu, várias vezes, viajei para o exterior. De 2019 para cá, recebi aproximadamente 70 mil dólares em diárias. Em outras viagens, comprei dólares e euros pelo Banco do Brasil. Não tenho nada para esconder”, declarou.
Dados do Portal da Transparência do Senado apontam que, entre 2019 e 2026, o parlamentar realizou 27 viagens internacionais e recebeu cerca de R$ 338,7 mil em diárias.
O congressista também rebateu as suspeitas de que teria recebido vantagens indevidas para defender interesses do Banco Master. A Polícia Federal investiga indícios de que Wagner teria sido beneficiado com um apartamento de luxo em Salvador, além de repasses financeiros que somariam R$ 3,5 milhões.
Apartamento no Horto está no centro da investigação
Sobre o imóvel citado pelos investigadores, Wagner confirmou que demonstrou interesse na aquisição de uma unidade residencial no Horto Florestal, mas negou que tenha recebido qualquer benefício indevido.
Segundo o senador, o empresário Augusto Lima, seu amigo pessoal, compraria inicialmente o imóvel, que posteriormente seria adquirido por sua filha.
“Eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. O apartamento está em construção e seria para minha filha. Não houve transferência de patrimônio para mim e eu não tenho nenhum negócio com o Master ou com o CredCesta”, afirmou.
Apesar da versão apresentada pelo parlamentar, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou uma série de medidas cautelares. Wagner está proibido de manter contato com representantes, funcionários, corretores, engenheiros e administradores das empresas ligadas ao empreendimento Poème Horto, além de não poder atuar em negociações ou intermediações que envolvam pessoas jurídicas investigadas no caso.
Lula liga e reafirma confiança, diz Wagner
Após a operação, Wagner revelou ter recebido uma ligação do presidente Lula. De acordo com o senador, o chefe do Executivo nacional manifestou solidariedade e confiança em sua conduta.
“O presidente Lula ligou para se solidarizar comigo e dizer que mantém absoluta confiança. Nós nos conhecemos há 48 anos. Ele sabe como eu ajo. Disse apenas para eu ficar firme porque essa seria uma tentativa de me desestabilizar”, relatou.
Wagner afirmou ainda que pretende permanecer na liderança do governo no Senado e manter sua pré-candidatura à reeleição em 2026.
Nos bastidores de Brasília, porém, já há movimentos dentro do PT e do governo que defendem seu afastamento da função. A posição foi verbalizada publicamente pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara.
Uma reunião está marcada para a próxima semana para discutir a possibilidade de manutenção ou substituição do posto.
Jerônimo sai em defesa do senador
Quem também se manifestou em apoio ao senador foi o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Em publicação nas redes sociais, o chefe do Executivo estadual afirmou confiar na inocência do correligionário e classificou as investigações como mais um episódio de perseguição política.
“Estive com o senador Jaques Wagner para levar meu abraço de amigo e companheiro. A Bahia conhece Wagner e sabe que sua história e legado são motivos de orgulho e inspiração”, escreveu. “Reafirmo a confiança no senador que honra a Bahia e lidera com compromisso o governo do presidente Lula. Não é a primeira vez que o perseguem; a verdade há de vencer. E nós, seus verdadeiros companheiros, não soltaremos sua mão”, acrescentou.
Em nota oficial, a assessoria de Wagner ressaltou que o senador não é réu, não foi denunciado e tampouco acusado formalmente no processo. O parlamentar afirmou que acompanha as investigações com tranquilidade e permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça relacionado ao Banco Master. Os fatos apurados pela Polícia Federal podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Relacionadas
Vice-líder de Lula defende afastamento de Jaques Wagner da liderança do governo
19/06/2026 às 06:41
Por Henrique Spínola
PF encontra dólares e euros em endereços ligados a Jaques Wagner durante operação sobre caso Banco Master
19/06/2026 às 06:31
Por Evilásio Júnior
PF mira Jaques Wagner e Augusto Lima em operação que investiga esquema bilionário ligado ao Banco Master
18/06/2026 às 08:25
Por Evilásio Júnior



