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Eleições no Brasil podem sofrer interferência do governo dos Estados Unidos? Entenda

Eleições no Brasil podem sofrer interferência do governo dos Estados Unidos? Entenda

Às vésperas do pleito para a Presidência da República, os especialistas Bruna Santos e Mauricio Moura debatem um dos pontos mais sensíveis da política brasileira no CBN Pelo Mundo

Por Redação

25/09/2026 às 18:10

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Foto: Divulgação/Casa Branca

A nove dias do primeiro turno do pleito presidencial, um dos assuntos mais discutidos pelos candidatos à eleição é a possível influência direta da Casa Branca no resultado das urnas. Em sua propaganda eleitoral, o presidente Lula (PT) tem subido o tom do discurso e adotado uma postura mais intensa diante da possibilidade de manipulação eleitoral, chegando a mencionar que o seu principal concorrente, Flávio Bolsonaro (PL), é o candidato de Donald Trump no Brasil.

Em comício realizado em Recife, nesta sexta-feira (25), Lula afirmou que votar em Flávio Bolsonaro é votar em quem “vai se enrolar na bandeira americana”, ao associá-lo ao governo de Trump.

No CBN Pelo Mundo, a comentarista Bruna Santos e o convidado Mauricio Moura, doutor em Economia e Política do Setor Público pela FGV-SP e em Ciência Política pela Atlantic International University, comentam se de fato existem sinais claros dessa suposta ação direta do governo norte-americano nas eleições brasileiras. Para Bruna Santos, o termo ‘interferência’ é o que melhor define a situação.

“Eu acho que a gente já pode falar numa interferência, porque a gente já tem um acúmulo de alguns eventos. Olhando aí para o histórico, no ano passado, a gente precisa lembrar que o primeiro tarifaço de 50%, ele veio com uma carta que vinculava um processo que vinha sendo feito contra um possível candidato à eleição em 2026, que é o ex-presidente Jair Bolsonaro. Então, ali você já tem, na minha opinião, uma evidência de um tipo de interferência no sentido de uma interferência no peso e nos riscos que você está colocando para as instituições brasileiras, especialmente chamando o julgamento de caça às bruxas”.

O assunto também ganhou repercussões internacionais nas últimas semanas. Nesta quinta-feira (24), um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusando a Casa Branca de tentar influenciar nas eleições brasileiras e demonstrando preocupação com a possibilidade de manipulação.

Maurício Moura afirma que a Casa Branca tem um histórico recente de participações ativas em processos eleitorais em alguns países. Segundo o especialista, a grande incógnita é a maneira como essa interferência vai se desdobrar no cenário brasileiro.

“No caso brasileiro, para mim, o grande tema é qual é a definição de intervenção até o momento. A gente sabe, e aí, entrando especificamente no secretário de Estado, Marcos Rubio, das preferências políticas dele, e a gente também sabe que a campanha do Bolsonaro, que o grupo bolsonarista tem bastante contato ali com aquela ala do governo americano. E, obviamente, o governo americano, nesse caso, tem lado. A grande dúvida que eu tenho: como é que vai se materializar essa intervenção? Se a gente vai ter uma intervenção do Trump falando alguma coisa, um apoio. Ou o Trump atacando o Brasil de alguma maneira, com tarifa ou atacando o PIX. Então, não está claro se vai ter uma intervenção verbal da Casa Branca, principalmente do Trump, mas também do Marco Rubio”.

* sob supervisão de Carolina Garcia

Fonte: CBN

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