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Ex-presidente da Caixa, Daniella Marques critica política econômica de Lula e defende corte de gastos para reduzir juros
Ex-presidente da Caixa, Daniella Marques critica política econômica de Lula e defende corte de gastos para reduzir juros
Por Evilásio Júnior
25/08/2026 às 07:11

Foto: José Cruz/Agência Brasil
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques criticou a condução da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu uma mudança na condução das contas públicas como caminho para reduzir juros, estimular investimentos e melhorar a situação financeira das famílias brasileiras.
Em entrevista à CBN Salvador, a economista afirmou que o país vive um quadro de desequilíbrio fiscal provocado, segundo ela, pelo excesso de gastos do governo. Ela defendeu a redução de despesas, de privilégios e da burocracia como parte de uma agenda para aumentar a competitividade da economia brasileira.
“Quem não cuida das contas não cuida das pessoas”, afirmou.
Na avaliação de Daniella, o problema não estaria nos programas de transferência de renda, mas na falta de mecanismos para permitir que os beneficiários conquistem autonomia financeira.
“O problema não é a assistência. A assistência não abala a economia do país. É um custo que cabe no orçamento brasileiro”, considerou.
‘O Brasil está indo para um buraco’
Ao comentar a atual situação econômica, Daniella citou o aumento do endividamento das famílias e o impacto dos juros elevados sobre empresas e consumidores.
Ela defendeu que o governo reduza despesas antes de buscar novas fontes de arrecadação. Na avaliação da ex-presidente da Caixa, o controle das contas públicas ajudaria a reduzir as expectativas de inflação e abriria espaço para que o Banco Central diminuísse a taxa básica de juros.
“Está todo mundo caindo a ficha de que o Brasil está indo para um buraco que eles abriram nessa gastança com regalias”, pontuou.
Daniella evitou, no entanto, estabelecer uma meta específica para a Selic.
“Eu não acho que seja correto prometer uma taxa de juros, porque o Banco Central é independente e quem define as taxas de juros é o Banco Central, não o governo”, afirmou.
Para ela, a prioridade deveria ser o equilíbrio fiscal.
A economista também criticou a carga tributária e a burocracia enfrentada por empresas brasileiras. De acordo com Daniella, o país precisa facilitar a abertura e a manutenção de pequenos negócios para estimular a formalização e a geração de empregos.
Programa para mulheres
Durante a entrevista, Daniella também defendeu políticas voltadas à autonomia financeira das mulheres.
Ela citou o programa Caixa para Elas, criado durante sua gestão à frente do banco, e afirmou que pretende ampliar iniciativas de capacitação, educação financeira e acesso ao crédito.
De acordo com a ex-presidente da Caixa, muitas mulheres deixam de empreender ou buscar emprego por falta de informação, crédito, acesso à internet ou mesmo vagas em creches para os filhos.
A proposta apresentada por Daniella prevê o uso de ferramentas digitais para concentrar serviços de capacitação, orientação financeira e acesso a oportunidades de trabalho.
Ela também defendeu que a Caixa volte a exercer um papel mais ativo na orientação financeira dos clientes.
Bolsa Família e autonomia
Daniella afirmou que programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) devem ser preservados para quem precisa, mas acompanhados de mecanismos que permitam a transição para o mercado de trabalho.
A proposta defendida por ela prevê uma espécie de período de transição para que o beneficiário possa começar a trabalhar ou abrir um negócio sem perder imediatamente o benefício.
“O governo vai ficar de mão dada com ela até ela voar sozinha”, resumiu.
Para Daniella, o objetivo deve ser fazer com que o beneficiário tenha segurança para buscar uma renda maior sem o receio de voltar à situação anterior caso o empreendimento ou o emprego não dê certo.
Críticas à reforma tributária
A ex-presidente da Caixa também criticou o modelo da reforma tributária aprovado pelo Congresso Nacional.
Segundo ela, a medida deveria ser suspensa e revisada para reduzir a carga de impostos e simplificar o sistema.
Daniella afirmou que a alíquota resultante poderá chegar a cerca de 28%, acima do teto de 26,5% previsto inicialmente na proposta.
Na avaliação dela, o aumento dos impostos tende a ser repassado aos preços de produtos e serviços.
“O brasileiro que está nos ouvindo não pode achar que isso não impacta, porque a empresa pega esse imposto e vai repassar no serviço ou no preço da mercadoria”, afirmou.
Ela defendeu uma revisão do modelo em até seis meses, com o objetivo de reduzir a carga e simplificar as regras.
‘Tesouraço’ nos gastos públicos
Ligada à equipe econômica que participa da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella afirmou que um eventual novo governo precisaria começar com medidas de contenção de despesas.
Ela citou como possibilidades o corte de até 18 ministérios, a revisão de salários acima do teto, cargos comissionados, benefícios e outras despesas consideradas excessivas.
A economista disse ainda que participa da construção de um grupo técnico que reúne especialistas em áreas como economia, energia, infraestrutura e saúde.
Conforme Daniella, a equipe trabalha na elaboração de medidas para os primeiros meses de um eventual governo.
Escala 6x1
Outro tema abordado na entrevista foi a proposta de mudança na jornada de trabalho.
Daniella afirmou não ser contrária à extinção da escala 6x1, mas criticou mudanças que, segundo ela, poderiam aumentar os custos das empresas e comprometer empregos.
Para a economista, o debate deveria considerar a liberdade de negociação entre trabalhadores e empregadores.
“A pergunta correta seria: você prefere trabalhar 5x2 ou perder o seu emprego?”, questionou.
Segurança pública
Daniella também apresentou propostas para a área de segurança pública. Entre elas, citou a construção de cinco novos presídios na Bahia, o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores, a criação de um cadastro nacional de estupradores e a ampliação do reconhecimento facial.
Segundo ela, o combate à criminalidade precisa estar associado à aplicação efetiva das leis e à proteção das vítimas.
Ex-presidente da Caixa deixou de ser cotada para vice
Durante a entrevista, Daniella também foi questionada sobre a retirada de seu nome da disputa pela vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Ela afirmou que o mais importante é contribuir com sua experiência e que está disposta a atuar em qualquer função que possa ajudar na execução de um projeto para o país.
“O importante é servir ao país”, declarou.
Daniella Marques presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro e atualmente participa da formulação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro.
Confira a entrevista na íntegra:
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