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Campanhas à Presidência miram votos de 33 milhões de brasileiros que não foram às urnas no 1º turno

Campanhas à Presidência miram votos de 33 milhões de brasileiros que não foram às urnas no 1º turno

A estratégia é mais evidente no entorno do presidente Lula, do PT, que ficou em segundo lugar e tenta virar o jogo. Mas, segundo especialistas, Flávio Bolsonaro, do PL, também vai precisar convencer eleitores a voltar às urnas nos estados com governadores

Por Redação

09/10/2026 às 06:56

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro concorrem à Presidência da República em 2026

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

Em meio à corrida eleitoral para o segundo turno presidencial, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro têm um público claro na mira: os eleitores que não foram às urnas. A diferença entre os dois candidatos foi de cerca de 2,2 milhões de votos, enquanto mais de 33 milhões de eleitores não compareceram para votar no primeiro turno.

Entre eles, está o músico João Victor Campelo, de 30 anos. Ele mora no Rio de Janeiro, que teve a segunda maior taxa de abstenção no primeiro turno, de pouco mais de 23%.

Para João Victor, a dificuldade é de transporte: o local de votação é em Nilópolis, na Baixada Fluminense, mas ele mora em Niterói, na Região Metropolitana, o que exige cerca de duas horas de viagem.

“A primeira vez que eu deixei de votar foi justamente agora. Nas outras eleições, eu conseguia ter mais acesso ao meu local de voto. Eu me mudei, e o meu título de eleitor permaneceu no outro local, então eu teria que pegar muitas conduções. Sinceramente, eu estava muito crente de que os resultados seriam um pouco diferentes nesse primeiro turno. Os resultados me deixaram chocado, um pouco preocupado, e eu já estou me planejando para, no segundo turno, fazer esse esforço. Eu estou muito arrependido, inclusive, de não ter ido.”

Os ausentes somaram, em todo o país, 21% do eleitorado no primeiro turno, a maior taxa registrada desde 1998. As abstenções têm crescido a cada eleição. Em 2006, há vinte anos, o índice era de 16%.

O papel dos faltosos fica ainda mais evidente num Brasil cada vez mais polarizado, onde converter votos entre um candidato e outro se torna uma tarefa inglória para as campanhas.

Ainda assim, o cientista político e pesquisador Fábio Vasconcellos ressalta que convencer os desalentados a participar do processo eleitoral também não é uma tarefa fácil.

“É historicamente sabido que, quanto menor a escolaridade e quanto menor a renda, você tem uma chance maior de abstenção. Por razões que podem ser de desinteresse, de custos de ir votar, de não participar absolutamente de nada do que acontece em termos de política eleitoral. Talvez você consiga transferir ou ajudar esse eleitor a incentivá-lo a ir votar. Mas não é em grande magnitude. Não espere um esvaziamento absoluto ou muito grande das abstenções, porque há eleitores com razões sólidas para não participar do processo. Eu me lembro que, em 2022, o segundo turno teve uma queda das abstenções, em torno de 600 mil votos, mas não foi suficiente para reverter o quadro”, explica

A movimentação para conquistar os ausentes é mais intensa na campanha do presidente Lula, que chegou em segundo lugar no primeiro turno e busca virar o jogo.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, busca morder os percentuais conquistados pelos adversários derrotados: Augusto Cury, do Avante, Ronaldo Caiado, do PSD, Romeu Zema, do NOVO, e Renan Santos, do Missão.

No entanto, para especialistas ouvidos pela CBN, a missão da campanha bolsonarista é garantir que os eleitores desses candidatos se motivem no dia 25 para voltar às urnas e dar o voto só para presidente.

E vale o lembrete: não ter votado no primeiro turno não impede que o eleitor vá às urnas no dia 25. O direito ao voto segue garantido.

Fonte: CBN

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