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Análise: Lula terá grande dificuldade para virar o pleito contra Flávio no 2º turno
Análise: Lula terá grande dificuldade para virar o pleito contra Flávio no 2º turno
Lara Mesquita foi a convidada do Estúdio CBN desta segunda-feira (5)
Por Redação
05/10/2026 às 18:08

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Marina Uezima/Brazil Photo Press/Agencia O Globo
O primeiro turno das eleições, neste domingo (4), mostrou um avanço dos candidatos de direita eleitos para cargos no Senado e na Câmara dos Deputados em todo o país. Além dos resultados no Poder Legislativo, a decisão pelo próximo chefe do Executivo ficou para o segundo turno, com a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O candidato da extrema-direita terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, contra 45,16% do atual presidente.
Para trazer um olhar mais detalhado sobre o resultado das urnas, o Estúdio CBN recebeu Lara Mesquita, professora na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) e pesquisadora do Cepesp.
Para a especialista, a ascensão da direita vista neste primeiro turno evidencia também uma larga vantagem que Flávio Bolsonaro tem sobre Lula na corrida pela Presidência da República. Os dois se enfrentarão novamente no dia 25 deste mês.
O que a gente pode assumir é a vantagem é do Flávio (Bolsonaro). O Flávio precisa de menos votos para ultrapassar os 50% mais um do que o Lula. Então, ainda que ele ganhasse uma proporção menor desses 7%, ele teria vantagem. O caminho para o Lula passa por converter votos, ou precisa aumentar a abstenção de eleitores que votaram no Flávio. Não basta só quem não votou no Flávio, que esses 7% não comparecerem. Tem que também não comparecer gente que votou no Flávio ou, alternativamente, levar mais gente às urnas ou converter gente que votou branco e nulo em voto no Lula. Então, é mais difícil para o Lula virar do que para o Flávio ganhar. A probabilidade maior é de sucesso do Flávio.
No primeiro turno, as mulheres bateram recordes de eleições. No Senado, das 54 cadeiras em disputa, 12 delas serão preenchidas por mulheres. Esse é o maior número de mulheres eleitas desde as eleições de 2002, quando 8 candidatas foram escolhidas para compor o Senado Federal. Já na Câmara dos Deputados, 108 mulheres foram eleitas, confirmando uma tendência de crescimento da bancada feminina nos últimos anos.
Em São Paulo, por exemplo, Erika Hilton (PSOL) conseguiu a reeleição para o cargo de deputada federal e se tornou a mulher mais votada da história do país para a Câmara dos Deputados, com 1.596.472 votos válidos. Em contrapartida, partidos conservadores, como o PL, também tiveram números expressivos de eleições femininas em todo o Brasil.
Lara Mesquita não vê esse avanço do conservadorismo feminino como uma ameaça aos direitos das mulheres. A professora ressalta que é ainda é mais fácil compor pautas sensíveis com mulheres conservadoras do que com homens conservadores.
Uma coisa eu tenho certeza: essas mulheres que foram eleitas não são contra o direito de voto das mulheres, do contrário, elas não entrariam na política. De um lado, se queremos maior presença de mulheres na política, temos que aceitar que vamos ter mais mulheres de direita e mais mulheres de esquerda. Ao que tudo indica, a sociedade brasileira tem uma composição predominantemente mais conservadora do que progressista. A segunda pergunta é: essas mulheres conservadoras, elas põem mais em risco os direitos das mulheres? Eu acho que se fossemos comparar com homens conservadores, não. O meu contrafactual aqui não são mulheres conservadoras versus mulheres progressistas. São mulheres conservadoras versus homens conservadore
Além de Erika Hilton, Lucas Pavanato (PL) e Nikolas Ferreira (PL) também bateram recordes de votação nas eleições deste domingo. Pavanato foi eleito deputado federal com 3.038.438 votos. Já Nikolas Ferreira, que disputou como deputado federal em Minas Gerais, somou 3.119.314 votos. Com os resultados expressivos no primeiro turno, a dupla do PL conquistou mais cadeiras para a legenda na composição do parlamento. A especialista Lara Mesquita explicou como os chamados 'puxadores de voto' podem ser decisivos positiva e negativamente para os partidos.
Recentemente, a gente passou a exigir um desempenho mínimo individual dos deputados. Então, o deputado precisa ter votação pelo menos equivalente a 10% do quociente eleitoral nas cadeiras que o partido ganhou na primeira rodada de distribuição. Isso em São Paulo são 30, 33 mil votos. E na segunda rodada, aquilo que a gente chama de sobras, esse percentual sobe para 20% do quociente eleitoral. Então, tem tanto voto concentrado no Lucas Pavanato que chega uma hora que dá um salto e falta gente com 30 mil votos para ocupar as cadeiras que o partido ganhou. Dentro da lista que é o oposto do PT que não tem nenhum puxador de voto, mas tem uma quantidade enorme de candidatos com mais de 70 mil votos. Então, por exemplo, o PT foi beneficiado por essas cadeiras que foram perdidas no estado de São Paulo, porque essas cadeiras vão lá para a distribuição das sobras e o PT cumpre os requisitos tanto de desempenho do partido quanto de candidatos com votação mínima.
Fonte: CBN
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